domingo, 24 de junho de 2007

Publicado por Desnorteada às 4:14 da tarde 7 comentários
Ontem custou-me adormecer... estive a pensar que preciso de um plano B para conseguir continuar... a sorrir, a lutar, a sonhar. Porque quando me deito, não tenho sono... tenho pressa de sonhar, pressa de agarrar o que não tenho... Esta é a conclusão das mil e uma voltas que dei antes do corpo se cansar e perder a consciência.
Ando cansada. Sinto-me longe de tudo e todos, mas principalmente de mim. Ando há demasiado tempo de sorriso entristecido, de coração vazio, de alma abandonada...
A intenção é recuperar o que por minha vontade perdi. Sério! É mesmo isso que quero. Deixei que tudo na minha vida chegasse a um ponto fora do meu controlo. Não posso deixar que sejam os outros a dar um rumo à minha vida... Não posso mais não pensar no valor que tenho... Eu sei isso muito bem... Mas que posso eu fazer para mudar as coisas? Recomeçar do zero?! Serei eu capaz? Não consigo voltar a ser a mesma... Tenho medo que tudo se repita... Não consigo ser aquela pessoa que fui... Nunca mais! A insegurança e o medo, agora, fazem parte de mim...
Preciso de um plano B, ou C, ou D, ou X, Y, Z... para combater este mal que me esmaga há tanto tempo... preciso de um plano para não cair em decadência. É que não quero ser perfeita... nunca quis e continuo a não querer... mas gostava de me sentir assim, de vez em quando. É urgente parar o jogo do faz-de-conta... Já!

sábado, 16 de junho de 2007

Publicado por Desnorteada às 6:35 da tarde 5 comentários
A menina está triste. A vida não a deixa sorrir. A menina sonha há muito que são todos como ela. Sonha alto. A menina descobriu que há poucos como ela...

A menina não quer ser perfeita. A menina só quer que a aceitem como ela é. Sem cinismos, mentiras e hipocrisias. A menina só quer crescer feliz...

A menina não mente. A menina não esconde. Não consegue. É transparente demais para conseguir sequer fazê-lo. A menina não suporta guardar as emoções... as que a fazem sorrir, as que a fazem corar de vergonha e as que a traem e magoam.

A menina é inocente. Acredita. Acredita. Acredita... A menina não sabe. A menina sonha muito... É muito ingénua. Não vê o que lhe está à frente dos olhos.

A menina procura o lugar seguro... um canto para se encolher. A menina não encontra. Encolhe-se em si mesma. A menina sabe que só ela encontra o caminho... ainda que seja a verdade mais dura que encara na vida.

A menina sente-se sozinha. Já não é menina. Quer muito ser, ainda. Já não é! A menina é menina sem ninguém vê-la como tal. E mesmo longe de tudo e de todos, desiludida e completamente perdida... a menina vai continuar a querer ser menina.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

ADEUS

Publicado por Desnorteada às 10:35 da tarde 2 comentários
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes. Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.

E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade
 

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