“(...) não me venhas com disparates de se tens ou não vocação de jornalista. É melhor que te perguntes se és curioso, impertinente, se te interessa o que te rodeia, se queres averiguar o porquê das coisas. Então não sei se terás vocação mas pelo menos tens, em princípio, algumas aptidões necessárias.”
Juan Luís Cebrián
Juan Luís Cebrián
Contar estórias. Palavras atrás de palavras. Prender o olhar de quem me lesse ou ouvisse e fixar as atenções nos pedaços de vida gravados em cada letra, em cada frase, parágrafo ou texto construídos por mim, sempre fez parte do meu dia-a-dia. Os relatos fiéis da realidade, que sempre gostei de fazer, traçaram o caminho que percorri até ao mundo da informação. Estar em contacto imediato com “o país e o mundo” para informar e estar informada foi desde cedo a minha maior ambição. O jornalismo esconde segredos que poucos privilegiados têm a oportunidade de conhecer e eu já fiz parte desse grupo... E tenho saudades! Os últimos dias têm-me transformado noutra pessoa. Mais madura e consciente de que o caminho que tenho de percorrer para melhorar e aperfeiçoar tudo que aprendi é ainda bastante longo, mas mais madura e consciente de que para me sentir realizada não posso deixar de ser jornalista. Toda a amizade que criei com os profissionais com quem trabalhei faz-me sentir que estou no sítio errado. Essa cumplicidade, que fui adquirindo aos poucos, é uma das razões para que, no papel de assessora, me sinta um verdadeiro peixe fora d’água. Nem é tanto pelo trabalho, porque um está associado ao outro... simplesmente me sinto do lado errado... E apesar disso, vou sempre agir com o maior profissionalismo porque só sei trabalhar assim. Estou a dar o meu melhor e o balanço até é, francamente, positivo. Apenas, tenho saudades do outro lado. Muitas! Esta semana disseram-me que entendiam esta minha vontade por "ainda ter muito a dar ao jornalismo"... talvez! A questão é que esta vontade não é suficiente. Por isso, peço a "Deus-Todo-Poderoso" que me faça passar esta sensação…ou isso, ou que faça com que o regresso ao jornalismo se concretize.

4 comentários:
Imagino a tua frustração, a vida é , por vezes e para alguns, muito injusta. É frustrante vermos que não podermos guiar a nossa vida através dos sonhos que temos, mas sim dos caminhos que se vão cruzando, caminhos esses muitas vezes distantes dos nossos desejos.
Quem sabe se esta tua experiência que estejas a passar sirva, não só para te amadurecer, tanto pessoal como profissionalmente ainda mais, mas sim como um bom prenúncio e um acumular de forças que necessitavas para seguíres em frente na luta pelo teu sonho.
Mas fico contente por saber que está tudo a correr bem.
Beijoquitas
Sabes, Menphis, é mesmo isso: frustração! Mas enquanto estiver a fazer isto tenho de fazer com que corra tudo bem... ainda que no final do dia só me apeteça esquecer as coisas que andei a fazer durante o dia... falta-me o gozo! E é essa falta que me faz continuar a lutar... e a acreditar que é possível. A ver vamos que cartas me vai dar a vida daqui a para a frente! ;) beijinhos
Depois de te ler até fiquei com a sensação que me "vendi ao desbarato" à assessoria... Em menos de um mês concluí que os dois ramos não têm assim tantas diferenças: continuo a ter acesso a informação privilegiada, continuo a contar histórias, continuo a dar usufruto à minha lista de contactos, continuo com vontade de aprender cada vez mais...
Haverá algo de errado em mim?!?
Não, Ana! Talvez seja eu quem está errada. Talvez sintas isso por seres assessora de uma só entidade e não de sete... talvez tenhas sorte de trabalhar numa área que te permite continuares a ter tudo aquilo que descreveste... eu não tenho! Tenho informação privilegiada é certo... mas uso-a de uma outra forma; uso os meus contactos, mas de outra forma; continuo a contar histórias, mas não da mesma forma... São perspectivas diferentes de ver e encarar as coisas! Somos diferentes... :)
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