(...) à procura, à procura do vento. Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer. Porque a minha força é imortal. (...)
José Luís Peixoto in Cemitério de Pianos

1 comentários:
É excelente a maneira como o josé peixoto nos transmite tantos sentimentos num pequeno texto como este! Conheci o trabalho dele à bem pouco tempo, mas já sou sua fã.
Prefiro o texto "Fingir que está tudo bem" se não conheceres dá uma vista de olhos. Vale a pena
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