quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Quase...

Publicado por Desnorteada às 12:24 da manhã 2 comentários
Nunca existiu um depois. Acho que é mesmo assim. A vida passa e não há como evitar a transição. Principalmente, quando nos passa tudo ao lado, sem margem para enganos e grandes discussões. Disse quase tudo. Quase. O mais importante ficou para depois, naquele tempo que não existiu, não existe e, dificilmente, existirá. As palavras, enlaçadas numa espécie de novelo de emoções, voaram com o tempo e não são de confiança. Invenções talvez, daquelas em que é fácil nos perdermos na pontuação e no lirismo da imaginação, com a mesma intensidade de uma experiência irrepetível. Eu disse realmente quase tudo o que havia para dizer. Mas… malditas palavras que me deixaram sem fala, me bloquearam a razão e me tornaram subjugada ao prazer da ilusão. Se era possível?! Respondi, várias vezes, que sim. Sem medo, abracei o vazio da incerteza e mergulhei no silêncio dos «monólogos» a duas vozes. Porquê?! Simples: sempre achei que os sentimentos não são um negócio e não têm obrigatoriamente de ter recompensa. Sei bem que é só a fantasia a falar mais alto… as palavras [malditas!] a dar o ar de sua graça. Hoje, a perspectiva já é ligeiramente diferente. Hoje, num dia como tantos outros, consigo repetir, entre um sossego profundo e os ruídos do passado, que na solidão sou quase feliz. Quase. O estar sozinha nesta maré de indefinições rouba-me a insensatez e mostra-me o outro lado da história. E, de costas voltadas, despida de nós, nesta «quase» saudade, minha e tua, existe apenas a ausência enorme das palavras, que um dia me conquistaram, me revelaram quase tudo… menos o que mais queria e esperava ouvir.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Do meu sistema nervoso…

Publicado por Desnorteada às 1:12 da manhã 8 comentários
Ando há um ano a tentar decifrar por que é que o meu corpo reage de uma forma estranha às coisas menos boas. Os médicos dizem que é do meu sistema nervoso. Ora pensando bem, foi por causa dele que quando andava na quarta classe o meu estômago deu os primeiros sinais de que não gostava de stress; que fui parar às urgências com uma paragem de digestão por causa do stress; que me surgiram umas bolhas manhosas nas mãos e nos pés por culpa do stress; e, que combato uma infecção nos pés vinda de uma «descarga emocional» sem motivo aparente, que me pode destruir as férias e todo o bem-estar deste tempo alegre que é o Verão. Nunca sei bem como reagir. Não consigo travar o ritmo do meu cérebro e abrandar os pensamentos. Sinto-me impotente quando observo as mudanças que o tempo me tem oferecido, e não sei fazer com que o meu sistema nervoso colabore.
Ando há um ano a tentar dizer a mim própria que os erros nos fazem crescer e são todos bens necessários. A verdade? Ando há um ano a mentir a mim própria. Os erros apenas servem para nos indicar outros caminhos e outras paragens… [Lamento tanto que não tenha sido capaz de ver as coisas como elas são. E tudo era tão simples!] Ando há um ano a despedir-me de memórias, de pessoas, e pesam-me os dias pelas portas que se fecham sem o mínimo de pudor. Preciso de descansar, de me sentir livre, de aconchegar as ideias e acreditar que os sonhos ainda se podem concretizar. Preciso de voltar a ser eu, sem rasto de mágoas e marcas que cheiram a ferida aberta. Preciso de parar, de recarregar baterias, de acalmar… Preciso de descobrir coisas novas e vivê-las sem medos. Preciso de vida, de vidas. Preciso da minha história e das histórias dos outros… dos que cá estão, dos que ainda me vivem e dos que ainda estão para vir. Preciso de pôr rédeas aos meus dias, só que ainda não sei bem como fazê-lo…
 

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