Hoje disseram-me que não tenho o direito de remexer no passado... que não tenho o direito de «meter o dedinho na ferida» outra vez. Mas como evitar se quando fecho os olhos, em silêncio, consigo ouvir a tua voz, ver o teu sorriso rasgado e sentir o toque da tua mão? Se ao menos eu soubesse que ainda te recordas de mim... que se eu te perdesse na memória, por inteiro, estarias disposto a fazer-te lembrar... que gostavas de saber se estou igual, se tenho o cabelo diferente, se estou mais magra ou mais gorda, se estou bem ou mal, se não parei de sorrir como pediste ou se ainda sou eu... tal e qual como conheceste e ensinaste tanto. Terás tu esta curiosidade de saber como poderia ser o nosso presente se tivéssemos ficado no passado? Talvez sejam apenas as saudades a falar mais alto.. não sei! Sei que me odeio por sentir ainda a tua falta e se pudesse não sentiria nada por ti nem sequer o vazio destes dias...
Deixei a vida fluir, pondo de parte o cansaço e a mágoa, esquecendo-me dos meus e dos teus defeitos, das minhas e das tuas qualidades, dos meus e dos teus objectivos e desafios, de como nos sentíamos bem um com o outro, etc, etc... e com o passar dos dias aprendi que viver sem sombras nem enganos, afinal, não é mau. Se eu pudesse, agarrava-te a mão e jamais a largava; levava-te para casa e, entre palavras e gestos, explicava-te por que é que naquele dia tive de decidir pelos dois; pedia-te para me amares com toda a tua alma e dedicação, como se não me fosses amar nunca mais, como se tudo acabasse numa hora. Se eu pudesse, esperava-te até à noite em que me sussurravas no ouvido que me querias, enquanto as tuas mãos entravam por baixo da minha roupa e me tocavam... e deixavas-me tirar-te a tua para te poder beijar a pele e fazer nela o início de uma nova história. Se eu pudesse, não hesitava: pedia-te para me fazeres esquecer isto que me mata por dentro e me faz entristecer, todos os dias, um bocadinho mais. Se eu pudesse, fazia com que o silêncio perdurasse, porque nada que disséssemos poderia descrever inteiramente o momento. Se eu pudesse, obrigava-te a acreditar que isto um dia seria possível e, de olhos fechados, obrigar-nos-ia a sorrir sobre o ontem, o hoje e o amanhã. Se eu pudesse... celebrava todos os dias por nos saber felizes... juntos. Se eu pudesse ignorava estes 365 dias e tentava tudo de novo. Mas não posso e, mais do que isso, não devo...
domingo, 6 de fevereiro de 2011
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10 comentários:
Que bonito! Letras que falam ao coração. Já há muito tempo que não deixavas nada assim aqui e eu gosto tanto de te ler assim. Ficção ou não, este texto é delicioso. Parabéns!
GOSTO!
Teresa: Obrigada pelas suas palavras. É um prazer saber que tenho quem me goste de ler. :)
Anónimo: EU TAMBÉM! :s
tens a alma nos dedos. Caramba! Deita cá para fora mais vezes.
João: Dizem que também a tenho na boca... mas isso nem sempre (quase sempre) é bom. :(
Ele não te merece. Primeiro porque estás a usar o SE e isso demonstra que não podes e depois porque te faz sentir assim. O amor nunca devia ser vivido desta maneira.
Por me faltarem palavras. apenas te agradeço a partilha deste texto tão teu, tão de dentro. (Já não vinha cá há algum tempo, mas gostei de regressar e sabes porquê? porque tu também estás de regresso. :))
Ana Silva: O amor e os SE não nos levam a lado nenhum :P Eu sei disso!
Mariana: Obrigada eu pelo regresso! deixas-me envergonhada com os teus elogios. :) Volta quando quiseres. ;)
Um sentir destes deveria ser recompensado. Um dia talvez terá esse momento que tão bem descreve. Um beijinho
Maria Teresa: continua a ser uma querida! :) Um dia pode acontecer muita coisa, mas este momento não acredito... :)
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