domingo, 12 de junho de 2011

Do estar / ser sozinha...

Publicado por Desnorteada às 9:13 da tarde
Não há nada mais ridículo do que vivermos numa vida que está longe de ser a nossa. Não há nada mais ridículo do que fingirmos ser alguém que não somos nem tão-pouco queremos ser. Não há nada mais ridículo que mendigar algo que sabemos que já não é nosso nem vai voltar a ser. Não há nada mais ridículo do que nos enganarmos a nós próprios na esperança de que a mentira nos faça feliz ou vá fazendo.
Todos os dias, tropeçamos em pessoas / coisas que nos enchem a alma de expectativas. A relação que criamos e vamos desenvolvendo com essas pessoas / coisas vai amadurecendo com o tempo e algumas das expectativas até conseguimos concretizar. O pior é quando tudo não passa de uma ilusão, de uma realidade imaginária que tão depressa surgiu, como rapidamente tomou conta de nós e nos comanda à distância sem dó nem piedade. O pior é quando deixamos de confiar nos outros e em nós mesmos.
A vida, dizem, é para ser aproveitada ao máximo, sem medos, sem rodeios e sem pudores. Só assim somos felizes... só assim podemos alcançar um estado pleno de bem-estar. Quantos de nós já não se afastaram de pessoas que amavam só porque estas nos magoaram? Quantos de nós já não se despediram de nós próprios por saber que é a única saída para nos livrarmos de algo que sufoca, que destrói, que mata? Quantos de nós já não amaram sem ser amados? Não perdoaram desilusões? Traições? Não lutaram lado a lado com o desrespeito e falta de amor-próprio? Quantos de nós já não sentiram que estão sozinhos no mundo apenas por não saberem olhar à volta? É verdade! Muitos de nós, provavelmente, viveu demasiado tempo com a cabeça na areia, interpretando longos estados de avestruz, sem perceber que o tempo está a correr e o que passou, passou e já não volta mais... sem ver o quanto o futuro importa.
Não sei o que vem por aí. Não sei mesmo. Tem dias que me apetece não estar só [talvez fruto dos 31 anos que já passei nesta condição... ou se quisermos 16... se apenas começarmos a contar a partir dos 15!]. Não é fácil olhar para trás e perceber que o amor [esse grande filho da puta] não quis nada comigo durante a minha vida inteira. Que só me ofereceu gente com um parafuso a menos, que me tratou como se não valesse aquilo que efectivamente valho. Não minto, gostava de saber como é ter alguém a ligar-me ao final do dia, a receber-me num abraço ao chegar a casa, a procurar-me se uma reunião me rouba mais minutos que o normal. Deve ser imensamente gratificante não depender só de nós próprios para um jantar de aniversário, para o planeamento de um fim-de-semana ou uma simples escolha de um filme. Deve ser extremamente gratificante saber que somos a prioridade na vida de alguém... que estamos em primeiro lugar para tudo... Que somos nós e isso basta! Mas, aprendi a estar sozinha. Eu sei estar sozinha... agora sei! E, às vezes, sabe muito bem estar só! Dizem que antes de se ser feliz com alguém, temos de aprender a ser feliz connosco e saber apreciar o prazer da nossa própria companhia. Pois bem, acho que cheguei a esta fase da minha vida. E por isso, exijo subir um patamar para investigá-lo detalhadamente... sem que qualquer pormenor me escape e com todos os erros e as imperfeições que esse estágio inclui. Exijo que desta vez as coisas não sejam inconsequentes. Exijo! Exijo! Exijo! Estou bem assim e não quero confusões, nem mentiras, nem ilusões... nem coisa nenhuma. É bom viver em paz e sossego.

2 comentários:

Ana on 10:18 da tarde disse...

"A solidão é um óptimo local para se visitar, mas um péssimo local para se viver."

Eu sei bem o que é sentir a falta de um abraço ao fim de um dia de merda e não ter lá ninguém para nos abraçar...

Desnorteada on 11:37 da tarde disse...

Eu estou na fase de saborear a visita, Ana! ;) E olha que espero que nada me venha estragar os planos... ;)

 

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