quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Do tempo... II

Publicado por Desnorteada às 3:48 da tarde
Nunca uma semana custou tanto a passar. Não sei se é por não ter carro há quase dois meses, se é do tempo quente lá fora, ou se é das distâncias que se impuseram, ou se do casamento que tenho de ir no próximo fim-de-semana, ou se da ausência de férias, praia e mergulhos no mar... A sério, não sei do que é, mas os últimos dias parecem estar a durar o dobro do tempo!
É verdade que tenho andado com pouca paciência para me aturar e, de uns dias para cá, não sei lidar muito bem comigo. Talvez devesse guardar o que há de pior em mim para que os outros me achassem «perfeitinha»; acontece que estou longe de ser assim. Não sei ser assim. Tenho o coração na boca. Disparo tudo o que me vai na alma basta que me sinta incomodada. [E estou incomodada, estou mal disposta, estou desiludida.] Não sei, realmente, ser de outra maneira.
Sabem quando olham para trás e percebem que já deram muito mais do que receberam e a frustração começa a correr-vos nas veias, misturada com o vosso sangue, e vos sobe à cabeça e quase vos faz explodir de nervos e raiva? É assim que me sinto. Um bocadinho mais dia após dia. E a alma mirra, o coração não enche e a cabeça pesa e os ombros ficam pesados... e... e... e... não dá mais. [NÃO DÁ MAIS!]
Ás vezes acho que já não tenho nada para sentir, que estou só ocupada com a matemática simples da sobrevivência e que tudo parece um pesadelo. Palavra por palavra, promessas atrás de promessas, sonhos espalhados no chão, sorrisos perdidos e lágrimas sofridas… tudo e mais alguma coisa neste tempo que parece nem existir. Às vezes gostava de ficar petrificada nas músicas que me fazem feliz, no cheiro das manhãs debaixo de um céu sem nuvens, nas personagens de um livro, no pormenor dos detalhes, no riso das crianças, numa conversa que completa, num abraço ou num beijo. Às vezes sonho com as respostas que não te dei, com a luta que estou a evitar ter contigo e os argumentos contra nós e o que podíamos ser. Às vezes, mesmo com a cabeça cheia de mil e um cenários inaceitáveis de rejeição, de fins, de confusões e problemas, gostava de perceber melhor a minha vida e gostar de estar nela. Apenas...

4 comentários:

joão disse...

Tens o coração na boca e nas mãos... A vida é feita de altos e baixos e quando tudo parece estar a desmoronar é quando alguém te lança a bóia. Coragem, menina! ;)

Ana on 6:17 da tarde disse...

Conheço bem esse sentimento que se deu mais do que se recebeu... Não desesperes e, sobretudo, não guardes isso para ti só para agradares ao outros, é o pior que podes fazer. Fala, grita, berra e fá-lo sempre por ti! :D

.:GM:. on 7:06 da tarde disse...

Um passeio, à beira mar ou no campo. Um música. Um momento a sós. Procuro não pensar muito nessas alturas. Procuro ocupar a mente sobretudo. Ou simplesmente escrever, como fizeste. E não tentes perceber a vida. É um mistério. Sempre foi e sempre será.

Desnorteada on 3:59 da tarde disse...

joão, obrigada! és um querido... ;)

Ana, eu achava que era o melhor que podia fazer, mas tenho descoberto que o melhor é mesmo estar ca-la-di-nha! ;)

.:GM:. não dá mesmo para a entender... :)

 

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