segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Das "não histórias"...

Publicado por Desnorteada às 1:23 da manhã
Podia escrever sobre o que é viver o vazio. Sou perita nisso. Um nada que começa com tudo e se revela oco, surdo e mudo com o tempo. Não estou a falar de memórias que não ficam ou de estórias não vividas, estou a destacar as "não histórias". E o que são "não histórias"? São todos aqueles momentos que pensamos ter vivido, mas que na realidade nunca aconteceram. [Verdade, isto existe mesmo!] Na verdade acho que podia especializar-me nas "não histórias". Porquê? Porque quando olho para trás, é tudo o que tenho… e sei, hoje, que é por isso que sou tão diferente dos que me rodeiam… até daqueles que achava serem iguais a mim. As "não histórias" colocam os protagonistas num cenário próprio, sem que mais ninguém saiba, testemunhe ou conheça, e onde tudo se resume, no final, a um mal-entendido.  [Não estou a falar de mentiras, não… estou a falar de interpretações] As "não histórias" criam laços, definem momentos, produzem diálogos inesquecíveis, reforçam-nos a alma e o coração com sonhos, emoções e lamechices que queremos prolongar pela vida inteira e pensamos serem inesgotáveis. Nas "não histórias", o amor flui como se existisse, a amizade faz parte de nós como se nunca acabasse e a paixão deixa-nos cegos como se não víssemos nada para além de dois corpos cúmplices e duas pessoas que se gostam. Gostam sim… não se amam. Porque o amar não subsiste nas "não histórias". As "não histórias" são na realidade histórias com uma pequena grande diferença: as "não histórias" deixam-nos no patamar do "E se!?" e carregam-nos o peito de mágoa, de dúvidas, de raiva e de desilusão, principalmente, desilusão; as histórias fazem-nos seguir caminho, fazem-nos acreditar de novo, fazem-nos guardar tudo o que é bom e esquecer o que não é necessário para um futuro melhor. Como ser feliz depois de tantas "não histórias"? Como aceitá-las e devolver a crença ao nosso coração? Como deixá-las de lado e aceitar que as histórias é que existem para ficarem dentro de nós? Como? Como é que se volta a querer tentar? Não tenho respostas… E nem sei se as quero ter...

2 comentários:

joão disse...

Uii… isso das "não histórias" tem tanto que se lhe diga. :/

Desnorteada on 12:24 da tarde disse...

João, se quiseres umas dicas… é só dizeres! ;)

 

O Meu Lado B Copyright © 2012 Design by Antonia Sundrani Vinte e poucos