1 de
Fevereiro de 2013
Tudo se
passa aos poucos. Vou-te afastando de mim. E tu de nós. Tudo começa a ficar em
silêncio, sem muitos barulhos e sem que nem eu nem tu nos apercebamos do que
realmente está a acontecer. Aos poucos ficarei longe de ti, de tudo o que me
deste e fizeste sentir, dos sonhos que tinha para nós. O melhor de tudo? Nem
sentirei falta disso nem tão-pouco de ti. Agora, neste preciso momento, ainda
me parece estranho e quase impossível, mas aos poucos sei que vou acostumar-me.
Tu também. Há muito que tens outra no meu lugar. Lugar esse que nem foi meu. Essa é a verdade que dói, mas que não posso omitir. E em poucos meses nem nos lembraremos mais do que fomos, do que sentimos, de como gostávamos de falar e estar juntos. Sei que, de alguma maneira, eu fui importante para ti, mas isso já vai longe. Sei, também, que não tens dúvidas de que te amei, mas isso também pouca relevância tem. Aos poucos, vamos desaparecendo do dia-a-dia. E um dia destes, vamos passar a ser dois estranhos, sem nos reconhecermos, sem saber nada um do outro. Neste
caminho das despedidas, vão-se as palavras, os beijos, a companhia, a amizade
até. Depois as conversas intermináveis, a cumplicidade, o querer, o medo de te
perder. Aos poucos, vamos ser | estar cada vez menos um para o outro. A verdade
é que não falta muito para sermos um incómodo na minha vida e na tua. Sabes,
num espaço onde já andam novos amores, nunca haverá lugar para nós. Pela
primeira vez, nem como amigos.


