terça-feira, 10 de janeiro de 2006

VIRAR DA PÁGINA

Publicado por Desnorteada às 6:39 p.m.


8h30. Toca o despertador. Nem quero acreditar... É tão cedo! Tem que ser, espera-me um dia ocupadíssimo. Dos antigos. Daqueles que só acabam quando caio de novo na cama. Apresso-me... Tenho de ir... Nada é como era!
Tenho de me ambientar. Espreitar. Fazer um reconhecimento. Vagueio pelas ruas da cidade. Percorro todos os cantos que um dia foram meus. Apesar das saudades, já não pertenço aqui... Nada é como era!
Tento encontrar alguma coisa, mas até as pessoas mudaram. Está tudo tão diferente! Respiro fundo. Viro a esquina na esperança de reencontrar alguém, mas... nada é como era! [Afinal, "dois anos" é muita coisa...] Páro. Respiro fundo mais uma vez. Tiro o bloco de notas só para rever o que tenho ainda para fazer. Risco o que já fiz e vêm-me à memória as coisas do passado. Sorrio. E, mesmo antes, do sorriso terminar, vêm-me à memória as coisas do presente. Da alma, descem-me as lágrimas. Surgem questões. Porquê? Porque tinha de ser assim? E porquê agora? E daquela maneira? Olho em frente, e metaforicamente, reajo assim... é, pelo menos, o que deve ser feito. Pela terceira vez, respiro fundo. Esqueço. Sinto os pés no chão. Caminho sem saber muito bem para onde ir... nada é como era!
À minha espera, tenho o mundo. Acelero o passo. Mais rápido. Cada vez mais rápido. Como que fosse apanhar o comboio do tempo. De repente, abrando. Mais devagar. Cada vez mais devagar. Perco controlo sobre o meu corpo. Tenho de viver o presente. Sem pressas. Sem medos. Saborear o que a vida me dá... Afinal, "dois anos" é muita coisa... mas já não é... foi.

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