quinta-feira, 22 de junho de 2006
EM SILÊNCIO...
És como uma música. Vai-se aprendendo a letra, o ritmo e a melodia. Aos poucos. E quando já se sabe quase de cor, toca-nos sempre de maneiras diferentes. Está sempre connosco. Nos nossos ouvidos. Na nossa boca. No nosso corpo. Sempre presente. E quando não a ouvimos, imaginamo-la. A melodia. O som. O que nos faz sentir. A vontade de dançar que nos cresce ao primeiro acorde. Sim, és como uma música. Daquelas que não nos saem da cabeça. E, por isso, tenho saudades daquilo que ainda não vivemos, sabes? Preciso de ti. Eu sei que mesmo longe me abraças. E mesmo distante estás comigo. Quando fecho os olhos, sinto o teu toque, sinto a tua mão na minha e os teus olhos nos meus. Num jeito só teu. Em silêncio. Também desconfio de ti, sabes? Muito. Muito mesmo. Mas, não te consigo esquecer. Desconfio de ti. Desconfio de mim. Desconfio de nós. É bom demais para ser verdade. Bate demasiado certo, percebes? Penso em tudo. Neste nada que temos vivido. Neste todo que têm sido estes últimos meses. Penso em ti. E naquilo que és. Preciso tanto de ti. De nós. Gosto tanto de ti. A sério. Como nunca pensei gostar de alguém. Eu acredito. Porque não? Penso eu. Acredito nesse teu sentimento de silêncios. Um sentir que não precisa de palavras, nem de gestos, nem de nada. O mais importante, ainda que em silêncio, está contigo. Comigo. Guardado junto ao peito. E, embora não possamos dizê-lo sempre, nós somos especiais. Sei que me entendes. Afinal, tu procuras-me neste silêncio. Tu ensinaste-me a vivê-lo. A percebê-lo. A aceitá-lo. Como um jogo. Estranho. Um jogo que gostamos de jogar. Perigoso, mas aliciante: eu digo, tu consentes. Porque “quem cala, consente”, não é? E no meio, este silêncio. Um silêncio só nosso. Ambos jogamos, transparentes, mas cada um à sua maneira. O importante é o jogo continuar... E esta é a razão para acreditar. Acreditar em ti e em mim. Em nós. Ainda.
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13 comentários:
Que saudades de te ler assim... Bom texto!
Já se vê algum norte... ainda bem!
Solta a tinta (não neste caso) mais vezes, gostei de ler.
Saudações
pedro: obrigada!
Carriço: espero recuperar o norte, por completo, em breve... :) prometo publicar mais vezes o que escrevo!
Que bonito! E que bom é gostar de alguém assim. ;) O silêncio pode, de facto, dizer muito mais que palavras. Bom regresso!
Com esse acreditar, falta pouco para conseguires o que queres...
Que bonito...que música tão boa*
eu: e só compreendo isso!
filipa: espero que sim... ;)
mojo pin: obrigada pela simpatia.
o silêncio diz sempre muito mais. Parabéns pelo texto. Está lindo! O destinatário é um felizardo. :)
Não te preocupes, linda, não vais precisar de encontrar o Norte porque vai ser ele que te vai encontrar a ti, sem tu dares por isso!
beijinhos
teresa: ele sabe que é... :)
marina: sei bem onde está o norte... cada vez mais! ;)
Achei fabuloso o teu texto... fez-me sentir aquilo que sinto e não sei exprimir por palavras... obrigada! O amor é como a música.... consegue ser aquilo que tu quiseres... agitada, calma, alegre, triste... todos os estados de espirito que sentes quando amas alguém...é como uma pauta cheia de notas, que aprendes a tocar, desde a nota mais aguda à mais grave, depois é só criar uma melodia... essa sintonia... é simplesmente linda!
Julie: obrigada eu! :)
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