quarta-feira, 19 de julho de 2006

UM DIA DE CADA VEZ...

Publicado por Desnorteada às 9:05 p.m.
"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?As pessoas têm de morrer, os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece?
Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! (...) O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."
Miguel Esteves Cardoso

3 comentários:

Anónimo disse...

"...na esperança de ele se cansar." É exactamente isso... já te disse, com o tempo vais aprender a viver sem ele, vais aprender a lidar com a ausência...

Anónimo disse...

como se esquece? não se esquece... vai-se é tentando enganar o tempo...

Desnorteada on 11:57 a.m. disse...

di: bem sei, mas a ausência dói...

eu: exactamente! engana-se o tempo...

 

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