quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Publicado por Desnorteada às 10:10 p.m.
Há alguns anos, nem sei bem há quantos, encontrei um texto numa revista, que já nem me lembro qual, que mexeu comigo. Guardei-o por ser bonito, por estar bem escrito... não sei. Sei que mexeu muito comigo. Lembro-me que quando o li, pensei: “Nunca senti isto por ninguém!”. Hoje, encontrei-o e reli-o. Entendi, finalmente, a mensagem... percebi que podia ter sido escrito por mim... percebi que podia ter sido eu a inventar este jogo de palavras...

“Tenho um jogo que quero jogar contigo. E se eu descontruísse a tua personalidade? Se me limitasse a repetir mentiras ao teu ouvido de tal forma que elas se tornassem a tua verdade? Tens consciência de que há diferentes verdades para cada um de nós, não tens? Tens consciência que o azul que eu vejo é diferente do que tu vês e que o sabor de canela é distinto para cada um de nós, não tens? E se eu te repetisse mentiras de forma constante, de forma séria e credível, até que acreditasses serem essas as palavras a mais pura das verdades? Ficarias sereno à espera que tudo voltasse ao normal? Ou adoptarias um novo estilo de vida e tentarias adaptar-te, mesmo não acreditando?
E se eu te dissesse para não saltares, cantares ou dançares? E que a tua voz não é bem-vinda para o que te rodeia? E se eu te ordenasse que sejas o que detestas, que sejas o que não és, que saboreies o que não gostas? E se eu te obrigasse a esquecer as coisas que desejas, as pessoas que amas, os sonhos que te invadem a noite? E se eu até o sonho te roubar? Se te proibir de dormir, te obrigar a ficar acordado a olhar o vazio, sem poderes pensar em nada? Terias medo? Vontade de gritar? E se eu te tirasse a voz? Se quisesses gritar e não conseguisses? Talvez me dissesses que o ódio é o alimento do futuro, não era? O único sentimento capaz de crescer, de ficar cada vez maior, até que tudo o resto fosse consumido e apenas nós existíssemos, a gritar para o infinito, neste vértice de ódio e loucura, não era?
E se eu te jurasse que o amor não existe? Se jurasse tantas vezes que o amor não existe, acreditavas? E se depois de te desconstruir a alma, depois de te apresentar tantas mentiras que parecem verdades, te largasse no teu mundo? Ficarias assustado? Lutarias com unhas e dentes para regressar à tua realidade? Ou irias para casa e ficarias fechado no teu quarto encolhido sobre ti mesmo, tentando perceber? Sem querer sentir outra vez aqueles cheiros, que te trazem recordações que anseias serem outra vez realidade? Ou esquecer que eles alguma vez existiram? Serias capaz de ficar consciente de que és apenas parte do que podias ser? Que és infeliz apesar de todas as aparências e de todas as recompensas falsas?
Esperneavas? Revoltavas-te? Apesar do medo, corrias para fora do casulo que construí, agora, em teu redor? Não, não acredito que o fizesses... Apenas, descobrias que o amor existe e é afinal a única redenção. Descobrias que uma simples carícia era capaz de te construir outra vez, te devolvia a personalidade. Descobrias que uma só palavra era capaz de te fazer abandonar o mal e que um beijo te fazia esquecer de que tens medo do escuro e te permite sentir as coisas com verdade...”

Sim, fazes-me falta!

4 comentários:

Maga Patalógika on 11:24 a.m. disse...

Que texto tão lindo... e identifico-me... Bjinho!

Desnorteada on 3:05 p.m. disse...

maga patalógika: é lindo, mesmo! tenho pena de não saber quem é o autor... mas ainda tenho esperança de encontrar a revista... ;)

Menphis on 11:00 a.m. disse...

Muito muito bonito. Um texto que deverá estar sempre presente nas nossas vidas.

Desnorteada on 6:05 p.m. disse...

menphis_child: sim, é verdade! Deveria estar sempre presente... ;)

 

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