quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

"Como esquecer alguém em 5 minutos ou talvez mais um bocadinho...

Publicado por Desnorteada às 8:51 p.m.
Antes de tudo, há que reconhecer que este poderia ser um belo nome para um daqueles livros que as pessoas oferecem umas às outras apenas e só pelo título e que usualmente se encontram em qualquer bomba de gasolina, no corredor do fundo, lado esquerdo, junto aos jornais. Não interessa o autor, nem se alguma vez se leu alguma coisa, nem se os críticos do mil folhas falaram bem, o que importa mesmo, é a mensagem que o título oferece a quem o recebe. E se depois lá dentro, nas páginas que se refugiam na capa, o conteúdo não for grande coisa, isso de nada importa. Entrega-se o livrinho como se estivéssemos a entregar uma senha de papel com uma mensagem, a fazer olhinhos, para a miúda que está na carteira ao lado: “Vai onde te leva o coração!”, “Fazes-me Falta!” “Não há coincidências” e claro o inevitável “Amo-te”.

Houvesse um medicamento, que depois de tomado nos fizesse esquecer a pessoa que amamos e as farmácias ficariam inundadas de gente à sua procura. Existisse uma operação que nos removesse a parte da memória que nos faz lembrar esse alguém e ficariam enormes as listas de espera para essa cirurgia. Mas não existe. Não há. Não se vende, nem se opera.

Mas pode-se esquecer? Pode. Como assim? Ora, usando uma técnica vulgarmente usada pelos bombeiros para extinguir os incêndios. O lendário truque do “Fogo contra Fogo” que basicamente consiste em lançar outro fogo em direcção ao que vem a arder. Assim, queima-se uma área que ainda não esteja ardida, para que quando o fogo lá chegar nada mais tenha para arder. E é limpinho.

O que há a fazer é queimar o que ainda houver de bom e fazer com que as coisas que estejam associadas à pessoa que queiramos esquecer não nos pareçam assim tão agradáveis. E quando ela – leia-se o incêndio – aparecer, já só resta terra queimada.

E assim, aproveitando esta bonita analogia dos incêndios, é justo revelar que aqui o grande problema é o vento, o vento que pode reacender as chamas. E esse vento, pode ser uma chamada dela – que ninguém atenda o telefone – uma súbita vontade de lhe ligarmos nós, às 4 da manhã com uma voz notoriamente embriagada – apague-se já o número – o vento pode ser uma foto dela ainda no quarto – que se guarde isso numa gaveta escura – uma carta que imbecilmente relemos – perigo, perigo! – Aceitarmos um convite para jantar a dois sob o pretexto de irmos falar sobre o ambiente no mundo – isso será muito arriscado – ir a casa dela rever a primeira temporada dos Sopranos em vd. – que fique claro, ao aceitarem o convite, isto já nem será vento, mas possivelmente, um tornado.


E assim, voltando à perniciosa técnica do fogo contra fogo, o mais importante, é queimarmos tudo à volta sem usarmos um único fósforo. É dizermos “isto é muito bonito e tal, mas eu tenho que sair daqui antes que se faça tarde” e assim, ao não permitirmos recaídas que sabemos que só irão adiar o inevitável, extinguiremos o pouco que vai existindo até que tudo fique reduzido a cinzas, tão frias e inertes, que nenhum vento será capaz de as reanimar."

Fernando Alvim
O homem quando quer escreve umas coisas engraçadas... não diz só disparates!

8 comentários:

Anónimo disse...

Realmente o Fernando alvim qdo quer diz umas coisas bem acertadas. Eu pessoalmente acredito q só se esquece um amor com um outro amor, mas as vezes é tudo mto bonito e afinal o passado continua presente e o presente n passa de algo momentaneamente bonito.
É mau qdo tudo a volta nos faz lembrar o passado e será q o fogo contra fogo ira resultar?
Pois é axo q so resulta qdo nós queremos q resulte e sejamos mais fortes q o vento... mas e qdo no fundo queremos ser mais fracos que o vento? Há solução??!?!?

Desnorteada on 3:57 p.m. disse...

fã do blog: tens toda a razão... quando não queremos ser mais fracos que o vento não há solução... só nos resta que o tempo faça surgir um caminho a seguir... ;)

Maga Patalógika on 8:39 p.m. disse...

Também acredito que só se esquece um amor com um novo amor... infelizmente. E este texto do Alvim é o máximo! Se não te importares também o vou publicar no meu blog... mas só mesmo se não te importares! :)

Saudades... vem a LX, manda um mail com novidades!!!!

Bjinhos

Desnorteada on 10:40 p.m. disse...

Maga Patalógika: podes publicá-lo à vontade... é do Alvim, não é meu... e mesmo que fosse meu podias publicá-lo... ;) o texto é demais! prometo mandar-te o mail...
Beijinhos

Menphis on 11:33 p.m. disse...

Nem sabes como me fez bem ler este texto ;) vou já ali comprar uma caixinha de fósforos :)

Desnorteada on 12:04 a.m. disse...

menphis: espero que resulte... ;)

Anónimo disse...

gostei, mas fica a ideia no ar que "Fazes-me Falta" da Inês Pedrosa é um monte de paginas com letras, quando na verdade é uma obra excepcional.

Desnorteada on 3:55 p.m. disse...

Alex: concordo inteiramente contigo quando dizes que "Fazes-me Falta!" é uma obra excepcional... penso que o Alvim estava era a referir-se somente ao título que pode ser entendido como uma "indirecta" a alguém...

 

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