Ainda não sei bem o que isto é. Juro. Não percebo bem os sintomas nem tenho o diagnóstico concluído. Queria poder escrever à vontade... assertivamente. Queria que as letras se juntassem sem me pedir licença, mas já não sei escrever assim sobre isto. Bem sei que mais cedo ou mais tarde aprenderei a aceitar este estado. Habituei-me a estar sozinha e quando algo me aparece para baralhar a rotina, o melhor mesmo é fugir... Começo, então, a desvalorizar os encontros, as coincidências e os sinais, como a forma que as nuvens ganham no céu ou os desenhos que os aviões deixam nos seus percursos. Começo a não querer prestar atenção ao que me dizem, tal como quando alguém muito chato nos dirige a palavra. Começo a não gostar de ver pessoas e a sentir-me bem em casa... no meu espaço... como se o silêncio fosse o melhor que o mundo tem. Queria ter coragem para gritar tudo o que sinto... para poder desenhar-te o que me fazes sentir. Mas aprendi a viver longe… de longe. Aprendi a relevar a importância do que se imagina no desviar de um olhar, no embaraço das palavras [ou falta delas], ou no telefone que não toca, um e-mail que não chega, uma carta que não se escreve ou na ausência tantas vezes confirmada. Preciso de saber o que é isto. Preciso de mandar embora os fantasmas que ainda me atacam em bando todos os dias e todas as noites. Viverei eu tudo outra vez? Talvez precise apenas que me guies, que me ajudes, que sejas tu a tomar as rédeas. Preciso que agarres as pontas porque eu não sou capaz. Eu já não sou eu e dificilmente voltarei a ser como era. Deixei de ser só eu: carrego este excesso de bagagem que dá multa e direito a muitas inspecções antes de seguir em frente. Pergunto-me se alguma vez olhaste para mim da mesma maneira? Julgo que não, mas... Eu não tenho qualquer plano. Desta vez, dou prioridade ao estar sossegada no meu canto… talvez um dia me deixe de rodeios e não fuja da felicidade como o diabo da cruz. Ou então não. E tudo isto [que ainda não sei definir] não passará de uma «ameaça» que se esgotará no tempo.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
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5 comentários:
Não fujas, querida! Tenta descobrir o que é isso o mais depressa possível... :P Beijinhos
Querida, não deixes, ou melhor, não fiques à espera que outros tomem as rédeas da tua vida... Vive, segue em frente, não fujas. Acredita que vale a pena cada experiência, cada momento, e até mesmo os momentos maus. Não te abandones à solidão e aos silêncios que afirmas gostar. E fá-lo por ti, depressa, porque a vida é muito curta...
Um beijinho muito grande cheio de consolo :)
Mariana, vou tentar... prometo! :P Beijinhos
KarenB, gosto das tuas palavras... ;) são sempre muito encorajadoras... Obrigada! Beijinhos
Adoro estes teus textos. Tens uma escrita cativante. ;) Publica mais, por favor! :) Beijos
joão, deixas-me sem palavras... :) Obrigada! :*
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