O Resto é Silêncio ( Que Resto?)
Volto, pois, a casa. Mas a casa,
a existência, não são coisas que li?
E o que encontrarei
se não o que deixo: palavras?
Eu, isto é, palavras falando,
e falando me perdendo
entre estando e sendo.
Alguma vez, quando
havia começo
e não inércia,
quando era cedo
e não parecia,
as minhas palavras puderam estar
onde sempre estiveram:
no apavorado lugar
onde sou silêncio.
Manuel António Pina in Poesia Reunida (1974 - 2001, Assírio & Alvim)
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
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2 comentários:
Que notícia triste! :( Este também é um dos meus preferidos...
Ele tinha tantos... :( ficamos todos mais pobres
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