Estou dorida. Sim, essa é a palavra. Não é de todo a mais bonita do nosso dicionário, mas descreve na perfeição o que sinto e como me sinto. Partiu, colou-se. Caiu, levantou-se. Esqueceu, relembrou-se. Putas das memórias que não me largam e me enchem o peito de um dissabor que quer ficar para sempre. O que fazer? Como resistir-te? Como expulsar estas estranhas sensações do corpo e da alma? Não há nada como adormecer e acordar com alguém no pensamento, eu sei, e que saudades tenho de ter isso só para mim. Não gosto disto. De ti e de nós. Não quero isto. Não te quero e tenho medo de não conseguir não te querer. Ao mesmo tempo, há uma vontade enorme em mim em te conhecer, em descobrir cada canto teu e em entrar no teu silêncio sem incomodar. Conseguir estar e permanecer em ti mesmo quando já não estamos juntos. Se fosses diferente, [ai se tu fosses diferente!], acreditava que o teu sorriso doce me poderia salvar, que as tuas palavras seriam suficientes e que 1+1 podia, de facto, ser 1. Se fosses diferente, [ai se tu fosses diferente!], podíamos desafiar-nos a entrar no jogo, sem medo e com toda a convicção. Mas eu estou dorida. Não sei o que fazer e o medo que sinto atrapalha-me até o raciocínio. Não consigo ser pela metade e por inteiro, agora, é (im)possível. Não dá para disfarçar. Não sei ser de outra forma. Desculpa.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
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4 comentários:
Tantas coisas que eu podia ter dito mas falta-me o jeito com as palavras, tantas coisas que me falam ao coração e que eu gostava que não fosse assim. A falta de racionalidade do coração é muitas vezes uma chatice...
PM, é a constatação mais verdadeira que escreveste aqui: "A falta de racionalidade do coração é muitas vezes uma chatice…" Muito bom, mesmo!! ;)
Mas que belo texto... e tão expressivo!
Obrigada C.Spot! :P
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