O universo da blogosfera é engraçado, inquietante, curioso. E é tudo isto porque podemos ser nós sem o sermos; podemos revelar-nos sem nos revelar; podemos contar as nossas histórias como se fossem de outros. No meu caso, eu adoptei um nome... [usava-se na altura] e, apesar de já ter ponderado assumir o meu nome muitas vezes, nunca me quis desligar da
desnorteada. É a minha companhia, sou eu, nua, sem esconder nada, sem disfarçar o que quer que seja, sem receios e sem pudor.
O Meu Lado B é o meu lugar, onde me assumo tal e qual sou, sem andar às voltas, sem rodeios, onde as palavras não ferem e os gestos são desejados. Quando, há oito anos, idealizei este cantinho, pensei-o numa linha intimista, queria que ele fosse realmente o meu lado b...
É verdade que, por aqui, conseguem traçar um perfil e para quem me conhece não é difícil encontrar-me em cada texto, em cada imagem, em cada música que publico. Está lá tudo: tudo o que vejo, tudo o que oiço, tudo o que leio, tudo o que sou. Não há margem para dúvidas. Não há um querer ser quem não se é, não há uma personagem inventada, querida para os outros, politicamente correcta [é que até nas intenções, na maneira de pensar, de agir, de ser, isso pode acontecer e, como diz a minha avó, "de boas intenções está o inferno cheio"!]. Eu assumo: não tem sido fácil viver. Estar aqui e ser feliz. Não tem sido fácil... mas tenho os meus momentos e contento-me com eles. Não gosto que me digam que tenho de agradecer o pouco que tenho [um dia de sol, os amigos, a família, blá,blá,blá, wiskas saquetas...]. Isso é que todos querem ler. Isso é o que aquelas frases lindas que publicamos no "livro das caras", todos os dias, nos dizem. Sinceramente, isso chega? As palavras serão suficientes?
Como é que alguém que trai, que mente, que engana, que não perdoa, que é pobre de espírito, pode depois ser moralista e vir para a blogosfera falar da vida como se fosse o Paulo Coelho de saias? Estou por cá desde 2004 e nunca me senti tão burlada como agora. Sim, BURLADA! Todos os dias descubro blogues que não têm conteúdo algum, com erros de português aos magotes, com filosofias que merecem o Nobel da Paz, com 1000 e muitos seguidores, que não acrescentam nada de nada a este mundo. Não, não são textos pessoais, desabafos, diários, são uma espécie de conselhos que vão deixando como se fossem o supra-sumo da verdade. A mim, não convencem... Mesmo! É que não dá para acreditar no que se lê por esta blogosfera fora... E, citando mais uma vez a minha avó, "o pior cego é aquele que não quer ver".