terça-feira, 18 de abril de 2006

Publicado por Desnorteada às 6:15 p.m.
Ouço o telefone a tocar. Corro para atender. És tu. Mandas-me um beijo. Não me consigo concentrar. Respiro fundo para retomar a calma. Procuras em mim algo que ambos não conseguimos explicar. Estás com saudades de mim e eu não consigo ocultar que sinto o mesmo por ti. Mas não o dizes, eu adivinho-o. Os ponteiros esquecem-se de andar e ficamos apenas um para o outro. As palavras começam a fazer sentido e dão origem a um silêncio que evitamos. Aos poucos, a minha alma, dorida de saudade, encontra o alento que ansiava. Estás mesmo ali ao pé. A chamar por mim. Sorrio. Sorris. Sorrimos. Abraçamo-nos, ainda que não fisicamente, num abraço que eu quero eterno. As nossas mãos brincam ao mesmo ritmo. Sinto-o. Só a lua testemunha a nossa história. Uma insensatez ou um sonho. Há promessas por cumprir mas sei que nada vai mudar. Não me sinto nem capaz de pensar no que é. No que foi. Não quero. Torna-se sempre mais fácil não pensar, para não sentir. É assim que fazes e eu já percebi. Finalmente, entendi a mensagem. A história parece ficar por aqui. Assim, perdida no tempo. É que agora falta muita coisa. Falta tempo. Falta vontade. Faltas tu. Falto eu. Falta tudo. Está na minha cabeça e no meu coração, mas é parte do passado.

2 comentários:

Anónimo disse...

"Torna-se sempre mais fácil não pensar, para não sentir.": bem verdade. Mas achas mesmo isso? Eu acho que às vezes não se pensa por dói, mas ao doer lembramos sempre. Se a história está perdida no tempo, um dia ainda se vai resolver. Muitas vezes o passado torna-se presente num instante.

Anónimo disse...

Falta muita coisa, menos o sentimento que vos une. Pode até ser uma amizade, mas já é alguma coisa. Não feches as portas.. como diz o sr(a). eu "o passado torna-se presente num instante"

 

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