quarta-feira, 16 de agosto de 2006
...
Acordei eram oito e tal da manhã. Acordei com a chuva a bater na minha janela. Senti frio. Encolhi-me. E fiquei assim: parada, a tentar enganar o sono e o corpo. Fiquei assim, uns segundos. Fechei bem os olhos. Resisti, uns minutos, mas apenas os suficientes para me aperceber que já era de manhã e que o verão resolveu ir de férias. Estava mesmo frio. Abri os olhos, outra vez, bem devagarinho, e aconcheguei-me nos lençóis. Estava num cantinho da cama e percebi que esta era enorme para mim. Encolhi-me, mais uma vez. Olhei à volta, rebolei na cama e fiquei ali. Primeiro, a esfregar o nariz, depois, a esticar o corpo. Uma perna, depois outra, depois os braços, e depois o corpo inteiro. É tão bom espreguiçarmo-nos! Ouvi o meu cão a ladrar, em jeito de “Bom dia!”. Estava tudo na mesma. Um novo dia, mas igual ao de ontem. Ou quase. Lembrei-me que adormeci à espera de uma surpresa tua. Qualquer coisa vinda de ti. Mas nada. Já não me surpreendes. Já não te deves sequer lembrar de mim. Como dantes. E eu já sabia que um dia ia ser assim... Reparei que a janela deixava passar uma luz. Não ouvia nenhum ruído. Que silêncio! Um silêncio de casa vazia, estranhamente completa e minha. De repente, a chuva interrompeu-me as memórias. Procurava algumas razões, mas não consegui chegar a lado nenhum. Estava ali, acordada. Cedo. Muito cedo, para quem não tinha nada na agenda para cumprir. Fiquei ali, a alienar-me dos outros, do tempo e de mim mesma. A ouvir-me, como se não fosse eu. Entretanto, passara uma hora. Saí da cama. Levantei-me. E já de pé, olhei em redor e pensei em voz alta: mais logo, mais uma vez, dormirei sozinha na minha cama grande...
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7 comentários:
definitivamente, rendo-me ao que escreves... adorei o texto, mais uma vez! e notei que embora penses na mesma pessoa, já não o vês da mesma forma... talvez, finalmente, o tempo tenha feito algum "estrago"!
mais vale só que mal acompanhada...
pedro: obrigada, mais uma vez! :) o tempo falou por si... só isso!
anónimo: bem-vindo, apesar de n saber quem és. Tens toda a razão, mas neste caso estaria melhor se acompanhada... :)
Visito muitas vezes o teu blog. Nem sempre deixo comentários, mas gosto, invariavelmente, sempre do que escreves... O tempo cura tudo, sim, leva é o seu tempo e esse ninguém sabe quanto é...
aisling: és sempre muito bem-vinda! O tempo cura tudo, sim sr.! ;)
Fácil nunca foi
Digerir esse silêncio
Que nos queima as entranhas
Corroendo as noites quentes e frias
Sempre que exista solidão.
Se queres sentir a Primavera
Seja Verão ou Inverno
Mesmo que seja
Por breves momentos
Senta-te à beira dum rio
Ou do mar
E sente que tudo está bem
Tal e qual como está.
Sente só a água
Nada mais.
ohniar: bem-vindo! muito obrigada pelo poema. é lindo!
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