Eu a convencer-te que gostas de mim,
Tu a convenceres-te que não é bem assim.
Eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.
Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar para esconder a saudade,
E eu a esconder-me do que não se dizia.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extingir o que já se sabia.
Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na côr que trazias.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxar-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.
Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías.
Não nos tocamos enquanto saías,
Não nos tocamos enquanto saímos,
Não nos tocamos e vamos fugindo,
Porque quebramos como crianças.
Afinal...
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois afinal.
Quebramos os dois...
É quase pecado que se deixa.
Quase pecado que se ignora.
Toranja
quinta-feira, 3 de agosto de 2006
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1 comentários:
Quebrar... convencer, sentir e gostar tudo é profundo dentro de quem sente e se é que o sentir serve para alguma coisa. Mostrar o outro lado serve para alguma coisa? Resolve algum problema? Escrever um poema, cujo tema seja o próprio lema, o escrever para libertar. Pergunto, como é intuído tudo isto? Este isto dá-se no ser e a função desse dar-se, tem algo que serve para solucionar outro algo? interrogo-me constantemente e muitos não me poderão jamais entender, porque perde-se o fio condutor da realidade.
Saudades, palavras desfolhadas, sentidas, perdidas... danças que se desciam pelos olhares pelas formas de parameterizar o sentido.
A pergunta é pela verdade e nisso mesmo perco-me e a verdade é a própria mentira e vice-versa. Olhos da incerteza que queima e tudo o que se sabe é um não saber, uma invenção constante para tentar dar solução ao que parece perdido ou jamais tem o seu lugar definido. Indefinições numa realidade interminável. Um poema, um texto e o cheiro do fim é um outro fim.
Quebram-se as palavras e o lado mais perto é o mais distante e nada funciona, nem uma oração, absolutamente nada... apenas dormir para esquecer, será uma outra hipótese. Assim e desta maneira... fui-se no pecado, isso que não é, o pecado ficou fora de moda e nunca mais funciona esse conceito depois de entendido, percebido e na mente resolvido. Tretas de encurralamento as histórias do pecado ou pra prender alguém, para domar-se, para dirigir e ter o controlo. Boa? Um poema, outra verdade e mais outra, com uma outra se se segue. Escrevo e continuo a escrever e apenas li, sim, li o que escreveste e na ordem da leitura saiu este texto, servirá para ti e para quem o ler, não interessa quem. O caminho é lá fora.
Abraços
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