terça-feira, 26 de setembro de 2006

Publicado por Desnorteada às 6:03 p.m.
Que há alturas na vida em que não há paciência nem pachorra para nada não é novidade. Nem tão pouco é novo que as pessoas nos desiludem. Agora que as pessoas nos desiludam uma, duas, três, dez vezes, consecutivamente, e que nós estejamos lá para elas, sempre, isso sim, é novidade. Pode mesmo dizer-se que é estupidez. Não percebo porque raio passo o tempo a investir tanto nas pessoas que já provaram mais do que uma vez que não merecem nada mais do que a minha indiferença. Sério! Não percebo mesmo. Até que ponto gostar de uma pessoa e preocupar-se com ela é desculpa para se ir aceitando tudo? Começo a achar que o povo tem razão ao dizer: “quem está, está; quem não está, estivesse!”. É só preciso ter coragem para aceitar as coisas como elas são e reparar com atenção naquilo que, muitas vezes, não se quer ver. E nisso tenho sido, verdadeiramente, corajosa. Todos os dias, descubro que sou, realmente, corajosa. Porque a força interior de uma pessoa vê-se na fraqueza dela. E não há mal nenhum em ter dias menos bons, porque no dia seguinte a sensação de vencer o desânimo é a prova de que se está vivo. Isto é o sal da vida! É muito fácil deixar-se os objectivos a meio só porque não se está todos os dias como se quer e com quem se quer. O difícil é a manutenção das coisas, com a mesma alegria de sempre. Não é no começo nem no ponto final, mas sim no que se dá e recebe no dia-a-dia. Porque é nestas dádivas que se bebe a coragem para enfrentar as dificuldades e obstáculos que vão aparecendo. Percebi, finalmente, que a ausência de algumas pessoas é o que me tem enfraquecido, mas é a presença de outras que já senti tanta falta um dia que me leva para a frente. Fazem com que entenda que a vida é assim: um ciclo. Uns dias bem, outros menos bem. Será sempre assim! Hoje, posso não estar como quero, com quem quero e onde quero, mas tenho, pelo menos, coragem para o assumir. E, na verdade, espero que esta coragem nunca me falhe... é bom ter consciência do que me faz falta!

11 comentários:

Anónimo disse...

és uma grande mulher, é o que é! :)

Desnorteada on 10:50 a.m. disse...

pedro: por acaso até sou bem pequenina... :p agora a sério, obrigada, és um querido!

Mónica Lice on 11:15 p.m. disse...

Parabéns pelo blog! Não conhecia, mas prometo voltar!

Beijinhos.

Anónimo disse...

a tua escrita é deliciosa! já venho cá há alguns meses e adoro o que pões cá para fora. Continua assim, corajosa. A malta aprecia! ;)

Desnorteada on 5:03 p.m. disse...

a lice: as portas do meu cantinho estão sempre abertas... :)

maria: volta sempre! Obrigada pelo miminho... :)

Anónimo disse...

A felicidade exige valentia.
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..." - Fernando Pessoa

Desnorteada on 4:37 p.m. disse...

nando: já conhecia o texto e adoro-o. Leio-o vezes sem conta para ganhar forças! Obrigada por mo relembrares, mais uma vez! Aos poucos vou construindo o meu castelo... :)

Anónimo disse...

já reparaste num poema de florbela espanca em que ela diz:
"Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!"
será que somos mentirosos compulsivos? ou somos simplesmente e estupidamente burros, cheios de confusão nas nossas cabeças? não sei... já não sei nada... até já de mim próprio duvido...

Desnorteada on 11:44 a.m. disse...

Nando: tb gosto muito de florbela espanca... :) eu concordo com ela: quando com alguém as coisas não correm bem, então devemos querer amar outro alguém para que desta sejamos feliz; e, se por acaso, desta também não correr como desejamos então partamos para outro alguém... e assim sucessivamente! Só assim construimos o tal castelo... ;)

Anónimo disse...

tudo bem, concordo contigo(em teoria)... mas acho que nós não estamos a conseguir pôr isso em prática... pelo menos falo por mim. E pelo que leio do teu blog, não parece que tenhas tido grande sucesso em livrar-te de obsessivamente pensar no teu amor perdido (tal como eu). Olha, se eu estou enganado, desde já peço desculpa, dou-te os parabéns, e peço-te que me digas como conseguiste... felicidades :)

Desnorteada on 7:19 p.m. disse...

nando: ainda n esqueci totalmente, mas estou a esquecer... as coisas que escrevo são desabafos que muitas vezes queria dizer-lhe a ele, mas cm sei que é melhor não dizer, escrevo-as aqui. É uma terapia. Porque não crias um blog? ajuda... ;)

maria: olá! :)

 

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