
Esta pantufa de carne e osso agora põe-se assim sempre que quer mimos. Pousa o focinho no colo e olha-nos assim com este ar de cachorrinho abandonado... Normalmente só resultava com o meu pai. Agora, ele já descobriu que sou incapaz de lhe negar uns mimos e faz isso todos os dias. Vem como quem não quer a coisa e depois fica assim até a nossa mão escorregar até à sua barriguinha para algumas cócegas. É que para estar deitadinho no chão de perninhas para o ar bastam uns segundos. Depois é ver o rabo a abanar para demonstrar o estado de alegria e de conquista... Mas, hoje, fez das dele. Foi para o jardim esconder um osso e quando veio para o meu colo vinha cheio de terra. Só me apercebi quando lhe pus a mão. Gritei com ele e mandei-o para bem longe. Ele encolheu-se e olhou para mim com um ar como quem diz: “Ouve lá, não ‘tou a perceber esse teu mau feitio! Eu só quero mimos...” Depois deitou-se e engoliu em seco. Sim, descobri que é o que ele faz quando faz asneiras. Engole em seco e vira o focinho para o lado como quem não está a perceber porque lhe estamos a passar um raspanete. Também não fui capaz de lhe negar uns mimos. Pensei: ele não fez por mal. Então, sentei-me ao pé dele a limpar-lhe o focinho e lá lhe fiz umas cócegas. Em jeito de agradecimento, sabem o que ele fez? Pôs as suas patas sujas nos meus ombros e lambeu-me a cara toda. Estão a imaginar o que me apeteceu fazer-lhe, não estão? Só pensei: Artur, é desta que tu levas uma tareia que nunca mais te esqueces! Mas não... Acalmei e pensei: vou vingar-me. Pus então toda a minha maldade a trabalhar. Uns segundos depois, gritei: já sei, vou dar-lhe banho. Sim, é isso. E com um ar de poucos amigos, arrastei-o e dei-lhe um bom banho. Ele não gosta nada. Ele não gosta e eu assim vinguei-me. Foi o castigo dele. Sou ou não sou má? (hihihihihihi!)













