Depois de Ti tornei-me outra pessoa. Esta não sou eu. Não me sinto eu. Estou tão diferente, tão distante, tão alienada de tudo, tão vazia de emoções, que não me reconheço. E tenho medo das proporções que esta nova eu pode tomar...
A verdade? A verdade é que a mágoa, a desilusão, a frustração de não ter conseguido fazer-te… [que é que isso importa?]… fizeram com que eu entrasse em coma por dentro. Num estado dormente que me faz andar anestesiada e em que a dor já não se faz sentir. Está lá, mas é quase como se fizesse parte de mim. Como se fosse física e não emocional. Como se fosse só mais um órgão no meu corpo…
E quando algo devia [deve] mexer comigo, nada acontece. Aprendi a diminuir cada um dos problemas que me aparecem. Meus e dos outros. Tudo passa. Com tempo. Com os dias, os meses, os anos. A bagagem, essa, fica mais pesada e apercebo-me, todos os dias, que não há nada que possa fazer quando tudo está nas mãos de outros. Caramba, que doce nada este que me faz sobreviver dia após dia!
Não é fácil. Nunca será. Mas se a vida nunca me sorriu a dois, por que é que não a posso viver de forma intensa como se fosse?! Ultimamente, sinto-me uma felizarda pela família que tenho, pelos amigos que estão presentes [mesmo os que estão a quilómetros de distância], pelo que sou capaz de fazer apenas eu e eu com eles. Como alguém me disse há pouco tempo: "já estou habituada!". Ha-bi-tu-a-da. Como é que é possível criar um hábito à volta de uma vida sem amor? A resposta é simples: desconhecimento. É mesmo isso: um total desconhecimento sobre o que é ser amada, desejada, cuidada, etc, etc, etc...
Às vezes, ainda sonho que será possível. Que um dia vou encontrar alguém que queira estar comigo, que goste da minha voz, que faça de tudo só por um minuto do meu dia, que não se importe se resmungo, que se ria das minhas parvoíces, que ature o meu feitio especial, que ignore a minha falta de jeito com as pessoas, que esteja disposto a derreter o gelo que Tu deixaste em mim e que saiba carregar comigo toda a bagagem que tenho para transportar todos os dias…. Que me leve ao cinema, à bola [de preferência ao Dragão, claro!], a jantar, a lanchar, a tomar o pequeno-almoço, que me encha a caixa de mensagens com futilidades e lamechices, que cante e dance comigo, que me abrace, que me faça chorar e rir ao mesmo tempo, que me encha de mimo... Às vezes, ainda sonho que será possível… que um dia vou ser capaz de fazer com que alguém olhe para mim e me veja, genuinamente, sem segundas intenções. E queira ficar… permanecer em mim e inundar de tal forma o meu coração de amor que o maior desejo de todos será apenas um beijo ao final do dia.